terça-feira, 11 de junho de 2013

Fotos aéreas da ocupação Eliana Silva


Na quarta-feira passada, através de um arquiteto amigo do MLB, um helicóptero fotografou a ocupação e pela primeira vez foi possível ao movimento ter fotos aéreas de nossa ocupação. 





Até a vitória sempre!!!!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Chuvas de ontem trouxeram transtornos a Ocupação Eliana Silva

Nas chuvas de ontem (28 de maio) à noite, mais de uma dezena de barracos ficaram danificados na ocupação. A força dos ventos fez com que alguns telhados se quebrassem.  As fortes enxurradas fizeram com que a água entrasse no piso de alguns barracos que ficaram cheios de lama. Algumas famílias tiveram perdidos seus mantimentos. Apesar dos transtornos, ninguém ficou ferido e os barracos que ficaram sem telhados as famílias foram direcionadas pela coordenação da ocupação, para serem acolhidas nas casas dos vizinhos.

Pedimos a todos os nossos amigos que puderem para nos ajudarem com:

Alimentos: arroz, feijão, macarrão, açúcar, óleo;
Telhas de amianto;
Sacos de cimento;



Contatos: 9133-0983 ou 95232111

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Curta metragem “A Rua é Pública”,filmado na Ocupação Eliana Silva, concorre a premiação em Florianópolis


O Curta metragem “A Rua é Pública” feito pelo cineasta Anderson Lima, está entre os 72 curtas selecionados entre 167 inscritos na 12ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. A mostra acontecerá entre os dias 28 de Junho e 14 de Julho, no Teatro Governador Pedro Ivo Campos. Dos estados participantes, São Paulo se mantém como o Estado com maior participação na produção de audiovisual para a infância, com 18 curtas selecionados, seguido por Rio de Janeiro, com 12 filmes, Minas Gerais com 8 filmes, Paraná com 7, Rio Grande do Sul com 6. Santa Catarina (6 filmes selecionados) e Bahia (4) aumentaram suas participações com relação à edição anterior (1 e 2 respectivamente). Esse ano também foram selecionados dois filmes de coprodução Brasil e Espanha.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Apesar da tentativa de golpe da prefeitura de BH, conferência das cidades é adiada


No dia 18 de maio, sábado, mais uma tentativa de golpe por parte da prefeitura de Belo Horizonte foi desarticulada. A 5 conferencia das Cidades – Belo Horizonte, foi convocada pela prefeitura de Belo Horizonte de forma arbitrária e sem a participação dos movimentos populares da cidade. 
“A prefeitura de Belo Horizonte, desrespeitando o histórico das próprias outras quatro conferências, que tiveram média de mil participantes, limitou a participação à 300 pessoas”, disse Leonardo Pericles da Coordenação Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB. E não foram somente essas as irregularidades: “além disso, a suposta comissão preparatória, eleita de forma anti-democrática pois na época de sua eleição, quase nenhum movimento foi avisado, aprovou um regimento que impedia entidades que não tem registro no município de participar da conferência e isso é ilegítimo, uma vez que se trata de uma etapa de uma conferência nacional e mais, a maioria das associações de bairro não têm registro, e nem por isso não são legitimas” argumenta Leonardo.
 A desorganização e despreparo dos organizadores ficou evidente. Dezenas de pessoas ficaram mais de uma hora na fila para não conseguirem nem se inscrever como observadores.
Nesse contexto, o MLB e a Ocupação Eliana Silva, juntamente com diversos movimentos presentes tentou entrar no espaço onde a suposta conferência estava sendo iniciada. A prefeitura de Belo Horizonte acionou a guarda municipal para tentar impedir a entrada dos movimentos: “Fomos recebidos com cassetetes e spray de pimenta da guarda Municipal, isso contra trabalhadores lutando legitimamente por seu direito de participar da conferência” Relata Poliana Souza da Coordenação da Ocupação Eliana Silva.
O Deputado Federal Nilmário Miranda,  destaca que a insatisfação não se deu só hoje, mas estava colocada desde o processo de credenciamento, que chegou a ser cancelado e depois reaberto. “A concepção da conferência é a participação. Tem que ter regras, regras democráticas, mas a presença deve ser acolhida, mesmo de quem não é observador ou delegado”, observa.
Nilmário aponta ainda que o objetivo da conferência é discutir o direito à cidade, com tudo que isso inclui, como a moradia, transporte, segurança, meio ambiente, acesso aos bens e serviços essenciais, controle da especulação imobiliária. “Por isso a participação popular é essencial. Quando ela é restringida, a conferência perdeu o sentido”, afirma (1).  
Depois de muito enfrentamento e agressões por parte da Guarda Municipal, centenas de participantes, indignados com tamanha covardia da Prefeitura de Belo Horizonte, se juntaram aos movimentos e garantiram a entrada de todos. 
Após o incidente foi feita a leitura do regimento que foi destacado por  praticamente todos os movimentos presentes e estes, foram unanimes ao defender o adiamento da Conferência que foi aprovado pela maioria dos presentes. Ainda foi decidido pelos movimentos a organização de uma nova comissão preparatória com a participação de mais movimentos populares e a remarcação da Conferência com critérios democráticos que possibilitem a participação de todos os movimentos de nossa cidade.  
“Essa foi uma vitória dos movimentos populares que impediram mais um golpe da prefeitura de BH, agora é impedir que a prefeitura possa tentar outra fraude, quem deve mandar na conferência são os movimentos” disse Poliana.

(1) Entrevista com Deputado Nilmário Miranda foi retirada de matéria da Jornalista Joana Tavares do Portal Minas Livre.

Da Redação MG

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Conferência das Cidades é adiada

Sáb, 18 de Maio de 2013 18:38 Joana Tavares, Portal Minas Livre

Após protesto de movimento de moradia impedido de participar do evento e de repressão da Guarda Municipal, 5ª Conferência das Cidades em Belo Horizonte foi adiada. 

Estava prevista para hoje (18) a realização da 5ª Conferência das Cidades em Belo Horizonte, como parte do processo para a realização da conferência estadual, prevista para setembro, e a nacional, que ocorrerá em novembro. Apesar de um dos objetivos oficiais da conferência ser o de “propiciar a participação popular de diversos segmentos da sociedade”, movimentos urbanos denunciam que a conferência foi organizada de forma a limitar a participação e mesmo de excluir determinados segmentos.

Em protesto contra a impossibilidade de entrar no local da conferência – no colégio Arnaldo, em um auditório onde não cabiam mais de 350 pessoas – cerca de 100 moradores da ocupação urbana Eliana Silva e militantes de organizações como o Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizaram ato na porta do local. “Tamanho foi o autoritarismo para impedir a participação que estavam cobrando registro no município das entidades que quisessem indicar delegados. A maioria das associações de bairro não têm registro, e isso não as faz menos legítimas. Além disso, não é isso que pode determinar quem participa ou não”, contextualiza Leonardo Péricles, da ocupação Eliana Silva e do MLB, um movimento nacional que não tem registro em BH.

Leonardo explica que o movimento entrou com recurso junto à comissão estadual denunciando as irregularidades, mas que, frente à decisão de fazer a conferência mesmo assim, eles decidiram ir em peso para protestar na porta. “Fomos para cima, dizendo que queríamos participar. A conferência não tem dono, assim como a cidade não tem dono, apesar da intenção do prefeito. A Guarda Municipal foi nos impedir de entrar, e bateram em companheiros, jogaram spray de pimenta nos olhos, no nariz das pessoas”, relata. Diante da confusão, muitas pessoas saíram do auditório e os manifestantes puderam enfim entrar.

Foi feito então um destaque no regimento e proposto o adiamento da conferência. “Ficou da comissão atual, juntamento com outros movimentos, remarcar a data, desta vez com critérios democráticos para garantir a participação dos movimentos”, informa Leonardo.

Magali Ferraz Trindade, delegada pela associação de bairro do Planalto, considerou positivo o adiamento da conferência, pois não concordou com a forma de organização. “Do jeito que estava, não era feita para atender as demandas do povo. Deveria ter sido mais divulgada, e mais pessoas deveriam poder participar”, afirma.

Magali, que está na luta pela defesa da mata do Planalto, denuncia que essa é a forma com que a prefeitura trata as reivindicações populares: “a forma como eles agem não é democrática. Acho que todos devem falar, participar, opinar. Participei da discussão do plano diretor e até hoje está tudo no papel. Essa forma que eles agem é para reprimir mesmo. E a realidade está aí escancarada”, diz.

O deputado federal Nilmário Miranda questiona também a forma de realização da conferência, desde a escolha do local, considerado muito pequeno. “Uma parte substantiva dos participantes não estava credenciada. Quando o pessoal do Eliana Silva chegou, chegou também a Polícia Militar, com 10 viaturas. E muita Guarda Municipal”, denuncia. Nilmário fala que até pessoas com crianças foram empurradas. “Houve conflito, foi jogado gás de pimenta. Um ambiente que nunca tinha visto aqui”, afirma.

Nilmário destaca que a insatisfação não se deu só hoje, mas estava colocada desde o processo de credenciamento, que chegou a ser cancelado e depois reaberto. “A concepção da conferência é a participação. Tem que ter regras, regras democráticas, mas a presença deve ser acolhida, mesmo de quem não é observador ou delegado”, observa.

Nilmário aponta ainda que o objetivo da conferência é discutir o direito à cidade, com tudo que isso inclui, como a moradia, transporte, segurança, meio ambiente, acesso aos bens e serviços essenciais, controle da especulação imobiliária. “Por isso a participação popular é essencial. Quando ela é restringida, a conferência perdeu o sentido”, afirma.  

Para ele, a prefeitura precisa refletir sobre o ocorrido na manhã de hoje. "Não devemos ver movimento social como estorvo ou problema. Pelo contrário, movimento social luta para efetivação de direitos ou criação de direitos novos.  É a razão de ser da reforma urbana. A lógica de contenção, de ver como inimigo, está errada", diz.

Fonte: Portal Minas Livre

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Nota do MLB sobre a repressão da polícia e da PBH sobre as famílias das ocupações Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy





Um trator com apoio do Batalhão de Choque chegou de surpresa com o objetivo de realizar o despejo das comunidades Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy. A polícia alegou que foi realizar a derrubada de apenas alguns barracos que estavam em construção (vale lembrar, de forma ilegal e sem mandato judicial). Independentemente dos motivos alegados pela PM, sua imensa truculência gerou indignação nas mais de 700 famílias que vivem nas três comunidades debaixo de tensão diária de sofrer um despejo a qualquer momento. Elas responderam aos ataques policiais com intensa mobilização. Barricadas foram formadas em frente às comunidades pelos moradores e outras 14 viaturas policiais foram acionadas assim, um enorme clima de medo e terror foi gerado. Junto ao aparato militar estavam 4 carros e um caminhão da Copasa. Os policiais durante todo o tempo agrediram verbalmente os moradores com xingamentos, provocações e ameaças. Fortemente armados, exibiam suas metralhadoras, revólveres, sprays de pimenta e cassetetes apontando-os para crianças, mulheres e idosos. Saíram correndo como “ratos” quando souberam da chegada de representantes da defensoria pública e de entidades de movimento sindical e de direitos humanos.
O que pudemos ver com essas ações é que a PM e a Prefeitura estão tentando criar um clima de terror nas famílias. Sem exagero, estamos diante de uma verdadeira guerra contra os pobres. Há alguns meses diversas incursões da PM e da Prefeitura vem sendo realizadas na região. Barracos de alvenaria foram derrubados, famílias tiveram cortados água e luz e ocorreram sobrevoos de helicópteros gerando muita desinformação.
Com ações cada dia mais agressivas, a PM e a PBH podem estar prestes a promover uma verdadeira tragédia na região.
Informamos a todos, que as famílias das três comunidades, demonstraram no dia de ontem mais uma vez, sua enorme disposição para luta e resistência. Nesse contexto, um processo de despejo das famílias, acarretará um verdadeiro banho de sangue na região.
Estamos mobilizados e vamos defender o direito humano de morar dignamente de todas as famílias dessas ocupações. Convocamos todas as pessoas de bem, defensoras da democracia e dos direitos humanos a se juntar ainda mais a nossa luta.
No sábado à noite, haverá um jantar em homenagem às mães da comunidade Eliana Silva que no mesmo dia, no ano passado, receberam de presente da Prefeitura de Belo Horizonte o despejo da primeira ocupação.
Seguimos na luta pela moradia digna, pela reforma urbana e uma pátria livre e soberana!

Belo Horizonte, 09 de maio de 2013
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB
Contato: (31) 9133-0983

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ATENÇÂO A TODOS! DESPEJO EMINENTE!!!!

Polícia derruba barracos e ameaça despejar mais de 600 famílias das Ocupações Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy no Barreiro, região da Vila Santa Rita.

Hoje 08/05 policiais do batalhao de chque da Policia Militar, com uso de tratores e de apoio da guarda Municipal, derrubaram alguns barracos de alvenaria na Ocupação Irmã Dorothy. Além disso, dezenas de viaturas estão ameaçando psicologicamente os moradores e um clima de muita tensão e medo toma conta das famílias dessas comunidades.
As comunidades somadas têm 700 famílias!!!!!!

Pedimos ajuda de todos! Compartilhe, vá as ocupações! Mande e-mail, façamos pressão política na prefeitura! Não vamos deixar que essa tragédia aconteça!!

Contato: 9283-9027 ou 9133-0983

domingo, 5 de maio de 2013

FAMÍLIAS OCUPAM TERRENO POR MORADIA POPULAR EM DIADEMA



No terreno situado ao lado do novo estádio de futebol de Diadema, no bairro do Inamar zona sul da cidade, mais de 300 famílias iniciaram a ocupação Lucinéia Xavier do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas nas primeiras horas do dia 05 de maio.

São famílias que estão fartas de esperar e já não têm condições de pagar os valores absurdos de aluguel que estão sempre em alta na região. Em Diadema, em virtude da especulação imobiliária, o preço do aluguel de um quarto e banheiro chega a custar R$ 400,00. O aumento do custo de vida e os baixos salários estão fazendo com que mais e mais famílias vivam na rua. É preciso que uma política de habitação verdadeiramente popular vire realidade nesta cidade.

As famílias organizadas pelo MLB têm um longo histórico de lutas. Desde 2008, a partir de um duro processo de ocupações e sensibilização do poder público, iniciou-se a desapropriação de um terreno para garantir moradia às famílias do movimento. A atual administração municipal vem, no entanto, usando de vários instrumentos burocráticos para atrasar o efetivo início da construção, de maneira que este ano nada de concreto foi feito.

Sem outra alternativa e diante do desespero que é o despejo forçado, homens, mulheres e crianças ocuparam um terreno que há anos está abandonado e que apenas serve para a especulação com objetivo de reivindicar:

- Implantação efetiva do projeto Minha Casa, Minha Vida na cidade com o objetivo de atender, prioritariamente, as famílias com renda de 0 a 3 salários mínimos, principais afetadas pela falta de moradia.

- Desapropriação imediata do terreno de interesse social situado na Avenida Apóstolo Pedro, Bairro do Inamar, com o cumprimento de TODOS os requisitos burocráticos para tanto.

- Inclusão imediata de todas as famílias do MLB, que há anos estão cadastradas na prefeitura, no programa de aluguel social.

Convidamos todo o povo de Diadema a participar desta luta e promover a solidariedade à ocupação Lucinéia Xavier. Queremos uma cidade melhor para todos. Com igualdade, moradia, emprego e segurança. Viva a luta popular!

Cordenação do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB

Ocupação Lucinéia Xavier – Av. Nossa Sra dos Navegantes (Ao lado do estádio municipal).

Contatos: Carol – (011) 98454,0407

MLB realiza ocupação em Diadema


Cerca de 300 famílias organizadas pelo MLB – Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas - acaba de realizar uma ocupação com o nome de Lucineia Xavier na região de Eldorado, Diadema

As famílias lutam pela desapropriação de uma área que já possui decreto de utilidade pública para fins desapropriação, é área especial interesse social (AEIS) e uma verba de 500 mil, liberada pelo Fumapis – todas estas conquistas do movimento até 2012.
 
Desde o início do ano o movimento tenta o diálogo com a atual gestão. Dia 30 de janeiro um ato foi realizado no centro de Diadema e em seguida uma comissão foi atendida pelo secretário de habitação, Eduardo Monteiro. Nesta reunião, diversas foram as promessas não cumpridas, tais como, discutir com o Prefeito como viabilizar o restante da verba e dar continuidade à desapropriação, impedir a utilização indevida do terreno, que vem servindo de estacionamento clandestino e mandar fazer o levantamento do plano-altimétrico e o teste de sondagem do solo. Nada disso foi feito! Em seguida, outras reuniões foram realizadas e mais compromissos foram descumpridos.

No Brasil, quase 8 milhões de famílias não tem casa própria: moram de aluguel, áreas de risco ou de favor. As famílias do MLB não são diferentes. Em Diadema estão na luta há cinco anos, na esperança de conquistar uma moradia digna, para a qual não tenham que dispender mais da metade do seu salário para pagar. Muitos foram o que já morreram nesta luta: dentre eles Sr. Cirilo e Lucineia Xavier, liderança do nosso movimento, falecida em 2010. Não é justo esperar mais. As famílias estão decididas e dispostas em resistir até que se cumpra a desapropriação do terreno.

Fonte: http://www.abcdoabc.com.br/diadema/noticia/mlb-realiza-ocupacao-em-diadema-10424

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Moradores das ocupações Eliana Silva fazem marcha até a regional Barreiro




Ontem (25/04) os moradores da Ocupação Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy fizeram uma grande marcha de 7km que partiu das ocupações (Barreiro de Cima) até a sede da Prefeitura Regional Barreiro.
A reivindicação principal foi pela urbanização das ocupações e contra o despejo das comunidades. Uma comissão dos moradores foi recebida pelo Secretário da Regional, Wanderley Porto. A pauta de reivindicações (abaixo) relata 10 pontos principais defendidos pelas comunidades.

Vamos pressionar a prefeitura pelo estabelecimento do diálogo. Com recursos do "Minha casa, minha vida" é possível urbanizar as comunidades e evitar qualquer despejo.

Seguimos firmes na luta e agradecemos o apoio de todos!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=AgBMVcL1cSI

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fim de semana de intensas atividades na Ocupação Eliana Silva


Festa de um ano da primeira ocupação Eliana Silva


No sábado foi realizada festa de um ano da primeira ocupação Eliana Silva, (ocorrida em 21 de abril e despejada no dia 12 de maio de 2012), com a participação de convidados como: Heloisa Bizoca, representando o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Ana Lúcia do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Richard José das Brigadas Populares, Frei Eustáquio – Agostinianos, Padre Zé Eustáquio da paróquia da região, Diony Gallegos da Casa Latina, Frei Gilvander – Carmelitas, Gonzaguinha do SINDIELETRO-MG, Denis Fotografo do Movimento Fora Lacerda, Maria da Consolação – PSOL, Vereador Adriano Ventura – PT e Matheus Malta do PCR. Foi exibido pela primeira vez aos moradores o curta metragem, produzido pelo cineasta paulista Anderson Lima, “A Rua é Pública” http://www.youtube.com/watch?v=JYL92YERklE, assistido com muita emoção por todos. Houve também um ato em que os convidados foram homenageados com um certificado do MLB. Logo após com muita musica e caldo de mandioca os presentes comemoraram o aniversario da ocupação.

Vista da Relatoria da ONU

No domingo (21) pela manhã, a ocupação recebeu a visita de uma comissão composta pelo relator Leandro Franklin Gorsdorf da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – DHESCA – Brasil, seu acessor Cristiano Mueller e de Leleco da União Nacional por Moradia Popular. Essa comissão está preparando um relatório para Organização das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos em relação a moradia. A comissão percorreu a ocupação e foi recebida pelos moradores em assembleia que apresentaram os projetos em andamento e o trabalho de construção da comunidade e denunciaram as ameaças de despejo por parte da prefeitura e a perseguição policial.
A comissão visitou posteriormente outras ocupações como Camilo Torres, Irma Dorothy, Guarani Kaiowa, Dandara, Vila da Paz e Vila da Luz.

Na segunda (22) foi realizada uma audiência Pública na Assembleia Legislativa de MG onde a relatoria apresentou parte de seu pré-relatório aos deputados Durval Ângelo e Rogério Correia da comissão de Direitos Humanos e houve grande presença das comunidades afetadas.

Iniciadas as aulas de Alfabetização de Jovens e Adultos


No dia 25 as 19h, com grande emoção dos presentes, foi iniciada as aulas da primeira turma de Alfabetização de Jovens e Adultos da ocupação  Eliana Silva. Foi exibido o curta: “Vida Maria”:
http://www.youtube.com/watch?v=zHQqpI_522M. As aulas serão dadas por dois moradores da própria ocupação que foram capacitados para alfabetização. Os moradores receberam seus quites com bolsas, caderno, lápis, caneta e borracha e camisa, os materiais foram conseguidos por uma parceria do MLB com o Instituto Paulo Freire de São Paulo, a Federação Única dos Petroleiros e o Projeto MOVA Brasil.

Quem quiser ajudar no EJA da Ocupação entre em contato: 9532-9701.





segunda-feira, 22 de abril de 2013

Participem! Nessa quinta-feira a comunidade Eliana Silva e demais comunidades juntamente com o MLB estarão fazendo uma marcha pela moradia e contra o despejo, não somente da ocupação Eliana Silva, mas também Camilo Torres e Irmã Dorothy. Saída as 07h da Ocupação Eliana Silva dia 25 de abril.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ato político um ano da primeira ocupação Eliana Silva



Há 1 ano Ocupação Eliana Silva enfrenta PM em 2012.
Dia 21 de abril faz um ano da primeira ocupação Eliana Silva. Essa primeira ocupação durou de 21 abril a 12 de maio de 2012, sendo despejada pela Polícia Militar a mando da prefeitura de Belo Horizonte com uso de extrema violência. Três meses após esse despejo violento, as famílias organizadas pelo MLB fizeram nova ocupação e permanecem no local a mais de 7 meses.

Ato político dia 20  - 
16h na Ocupação Eliana Silva

Participe!

sábado, 13 de abril de 2013

Eliana Silva: exemplo de vida e de luta para todos

Após quatro anos da morte de Eliana Silvafamílias da Ocupação que recebeu seu nome e o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) de Minas Gerais fazem homenagem em memória ao exemplo de vida e de luta de uma de suas mais destacadas militantes populares e socialistas.

Eliana Silva de Jesus nasceu em 03 de novembro de 1964 e foi uma grande militante do movimento social. Sua militância política teve inicio durante sua juventude no movimento estudantil secundarista mineiro, ainda na década de 80, nas lutas pelo fim da ditadura militar fascista e nas campanhas de democratização no Brasil. No movimento estudantil participou ativamente da reorganização da União Colegial de Minas Gerais - UCMG (1989), dos congressos da UBES e das intensas lutas pelo Meio Passe e pela conquista da meia-entrada (1992). Apoiou a organização do movimento sindical, atuando em várias greves e eleições de sindicatos e categorias importantes, como da Construção Civil, dos Metalúrgicos e dos Rodoviários. Participou das lutas populares que aconteceram no Brasil nesse período, como, por exemplo, da luta contra as reformas neoliberais de Collor de Mello, Itamar Franco e FHC, em especial, contra as privatizações das empresas estatais.
Em 1995, quando ocorreu a cisão do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR8, Eliana Silva não vacilou em se juntar ao numeroso grupo de companheiros que decidiram reorganizar o Partido Comunista Revolucionário – PCR, do qual foi militante até sua morte.
Eliana Silva foi uma dedicada militante comunista, que tinha entre outras características, a simplicidade e a sensibilidade capazes de compreender e lidar com os problemas vividos pelo ser humano. Por isso colocou sua vida à disposição de todos os seus semelhantes, dedicando sua vida e seu tempo a ajudá-los e organizá-los coletivamente.
Muitas lutas e conquistas na Vila Corumbiara
Em março de 1996, participa da organização de uma das maiores e mais combativas ocupações urbanas do paísa Ocupação da Vila Corumbiara, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, sendo uma das principais lideranças desse movimento, resistindo as ameaças do cerco policial e ao descaso e ordens de despejo do prefeito Patrus Ananias diante do problema das famílias de ocupantesNaqueles anos não existiam programas de construção de casa populares, como hoje existe o Minha Casa, Minha Vida. Tudo precisava ser conquistado com intensas lutas. E como presidente da Associação dos Moradores, Eliana foi protagonista direta dessas lutas em Belo Horizonte. Da união e da resistência dos moradores, a Vila Corumbiara cresceu, se desenvolveu e transformou-se num bairro. Todos os direitos conquistados pelas famílias da Vila foram fruto de muitas lutas, muitas passeatas, manifestações e ocupações da sede Regional da Prefeitura, no Barreiro. Com essas lutas foi possível conquistar transporte escolar, linha de ônibus do bairro até a Estação, asfalto, coleta de lixo, iluminação pública, rede de água e esgoto na comunidade. Lutou até os últimos dias de sua vida pelo direito ao título de posse de suas casas, conquista que só foi obtida pela comunidade apenas após sua morte. A situação da moradia popular está cada vez pior em BH e, passados 17 anos desde a ocupação da Vila Corumbiara, pouca coisa mudou.

Em um depoimento emocionado Joana do Espirito Santo, moradora da Vila Corumbiara  17 anos, vive no local desde o inicio daquela ocupação, disse sobre sua convivência com Eliana: Uma pessoa que se preocupava não só com ela, com a família dela, mas com todos. Não deixava nada passar em branco, conseguia carro de som, lutava com o povo, fazia aniversário da ocupação da Vila. A casa dela era um verdadeiro escritório, onde fazia os jornais e reunia as pessoas. Passava nas casas convidando os moradores e logo assumiu a Associação dos Moradores. Era uma pessoa que reunia e aconselhava as famílias. Cuidava dos filhos dos outros como se fossem dela e mesmo quando ficou doente não parava quieta e lutava com agente.” 

No ano de 1999, juntamente com companheiros de diversos estados do Brasil participa da organização e do Congresso de fundação do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB - realizado em Belo Horizonte e integra sua coordenação nacional.

Ao descobrir um câncer de mama, imediatamente inciou um duro e difícil tratamento. Foram alguns anos de luta contra a doença e apesar de ter encarado mais esse desafio com a mesma disposição e energia de sempre, infelizmente não conseguiu vencer, vindo a falecer no dia 22 de janeiro de 2009. Apesar da tristeza com a perda de Eliana os moradores da Vila Corumbiara continuaram na luta e reelegeram uma nova presidente para a Associação de Moradores, que dá continuidade ao trabalho pelas melhorias na comunidade.

Em abril de 2012, durante a assembleia das famílias que acabavam de realizar uma nova ocupação em Belo Horizonte, foi decidido por unanimidade prestar uma justa homenagem a essa lutadora revolucionária, batizando o local com o nome de Eliana Silva. Em poucos dias, o seu nome estava sendo anunciado em todos os principais jornais, rádios e redes de TV de Minas Gerias e do Brasil, tamanha a repercussão que teve a ocupação, se destacando como uma das principais ocupações urbanas do país no ano de 2012. As famílias da ocupação, mesmo que em grande parte não a tenham conhecido, seguem a luta e seu exemplo de vida.

Após quatro anos de sua morte o MLB de Minas Gerais e a Ocupação Eliana Silva fazem uma homenagem à Eliana Silva, mantendo viva não apenas a luta do povo pobre, mas a luta revolucionária por profundas transformações sociais, pelo fim do injusto sistema capitalista e pelo socialismo.

Em março de 2013, a Ocupação da Vila Corumbiara completa 17 anos de muitas lutas e conquistas, sendo um exemplo de como deve se organizar uma ocupação urbana em qualquer parte do Brasil. A Vila Corumbiara conquistas inéditas, que até então nenhuma outra ocupação urbana janais havia conquistado em BH, como transporte escolar, saneamento básico, luz e água para todos, transporte do bairro até a Estação Barreiro e, principalmente, o Título de Posse das moradias, que só foi entregue pela Prefeitura em 2010, um após a morte de Eliana. Uma vitória do MLB e de todos aqueles que lutam pela moradia popular.

A seguir publicamos uma parte do texto escrito pela própria Eliana Silva, dias antes de sua morte, em que deixa uma mensagem de otimismo e fé na vida a todos os seus companheiros de lutas do Partido Comunista Revolucionário (PCR), do MLB e da Vila Corumbiara.

"VivaBom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadiaPorque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" para ser insignificante. Não há nada como um dia após o outro para renovarmos nossas forças, a prece não traz soluções milagrosas aos nossos problemas, mas nos dá a paz, serenidade, compreensão e fortalece-nos, então somos capazes de encontrar os melhores caminhos. Se Deus resolvesse os nossos problemas que mérito teríamos? Aprenderíamos com eles? E tudo quanto a vida nos apresenta vem para nos ensinar a sermos melhores. Somos capazes de amar e amar é uma forma de viver...Somos viajantes que escolhemos nossas estradas conforme nossa inteligência e vontade. Respeitar a escolha alheia, mais do que alertar e mostrar pelos próprios passos a estrada por nós escolhida, não é possível fazer a nossa fronteira. A verdade libertadora é aquela que conhecemos na atividade incessante do bem.” - Eliana Silva de Jesus.

Leonardo Pericles - Coordenação Nacional do MLB

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dona Eudi Costa: “Nós também podemos!”


Fonte: A VERDADE

Após um ano de organização, mobilização e resistência, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) comemora cinco meses de ocupação da comunidade Eliana Silva, na Capital mineira. São diversos trabalhadores e trabalhadoras combativos e conscientes de seus direitos, que servem de exemplo e municiam com esperança o conjunto dos movimentos populares, mostrando do que a força da classe trabalhadora é capaz de fazer.
Um desses exemplos é Eudi Dias Costa, que completou 55 anos de idade dentro da ocupação. Dona Eudi frequenta as reuniões do Movimento de Mulheres Olga Benario e conta, nesta entrevista a A Verdade, um pouco de sua história e das lições aprendidas na vida.
A Verdade – Como foi a sua infância?
Eudi Costa – Eu não tive infância, só trabalho. Eu tomava conta das crianças, enquanto minha mãe ia para a roça. Então eu não estudei por causa disso. Vim para Belo Horizonte nova. Fui trabalhar para ajudar minha mãe. Todo mês, eu mandava dinheiro para minha mãe e meu pai. Vivi com eles até os 17 anos. Vim me casar “depois de idade”. Eu vim sozinha pra cá. Uma dona me trouxe para trabalhar com ela e trabalhei nessa casa durante 13 anos. Aí eu encontrei o William, aqui em Belo Horizonte, e fui morar com ele. Ganhei o primeiro filho, que morreu, depois engravidei de Ludmila, tudo depois de idade. Depois dos 30 anos que vim arrumar filho.
E sua vida em Belo Horizonte?
Morava aqui em Belo Horizonte com William e fomos pro interior, em Santo Antônio do Jacinto. Lá eu lavava roupa pros outros para eu criar minhas filhas. Era dez reais a trouxona. Ia pro rio lavar na cachoeira, lavar roupa e passar roupa pros outros, e também fazia faxina. Pra lavar um monte de roupa. É 50 reais pra lavar roupa um mês inteiro pra uma pessoa. Eu lavava roupa de família rica, pros fazendeiros. Tinha vez que lavava pra outras pessoas mais pobres e eles me davam feijão, me davam arroz, me davam tudo. Não me davam dinheiro, mas me davam as coisas, mantimentos pra levar lá pra casa. Eu lavava tudo na mão e botava pra secar no rio, nas pedras.
E o que seu marido fazia?
O William é daqui. Quando chegou lá, não tinha emprego. Ele limpava quintal, lavava carro, pegava lenha pra vender pro pessoal fazer pão, fazer biscoito. Trazia, vendia e já trazia as coisas pra gente comer. A nossa vida era assim.
A senhora tinha sua casa no interior?
Nunca tive casa. Lá a casa era do meu irmão. Em Belo Horizonte morava com uma senhora que eu trabalhava com ela.
Como conheceu o MLB?
Um dia, eu conheci Sabrina (do MLB). Ela ia passando na rua, com carro de som, chamando pra reunião. Aí o William pegou um papelzinho e falou: “dia de sábado a gente vai pra essa reunião”. E aí faz um ano que estamos aqui nessa luta! Fui em Brasília com eles, e hoje nós estamos aqui na ocupação, mesmo que na primeira tentativa nos despejaram.
E como foi depois do despejo?
Tornei a voltar pro mesmo aluguel porque, na primeira ocupação, as meninas estudavam. Aí nós ficamos na ocupação, e o William continuava pagando o aluguel e as meninas ficavam lá. Aí nos despejaram. Voltei a participar das reuniões de novo, de tudo que tinha.
E hoje a senhora vive aqui?
Só aqui, eu moro só aqui, eu não vou a lugar nenhum, faço tudo aqui dentro. Nem na padaria eu vou. E mudou tudo. Até hoje, minha filha Ludmila vai até ali pegar um “marmitex” pra nós. Que nós nunca tínhamos comprado um “marmitex” na rua. Nosso dinheiro era só para pagar aluguel e comprar o remédio que eu tomo. Muitos remédios e caros. Tem um que eu tomo de seis em seis meses e custa R$ 100. E lá pagávamos água muito cara. Então não sobrava dinheiro pra nada.
O que acha da organização do movimento?
É bom demais. É importante pra nós, as reuniões, e agora tô querendo fazer alguma coisa pra gente trabalhar, ganhar um dinheiro, trabalhar para organizar essas mulheres, as meninas novas. Fazer curso pra elas e estudar, porque eu não tenho leitura nenhuma, eu não sei nem assinar o meu nome.
A senhora quer estudar aqui dentro?
Eu quero estudar aqui. Mostrar lá fora que a gente pode. Eu nunca… [emocionada], eu até choro. Eu nunca estudei na minha vida. Nunca, nunca. Nem sei por que. Eu cuidava de todos os irmãos, mas eu ia em todas as reuniões. Tinha reunião de tudo, tinha curso de comida, e eu participava de tudo. Tinha curso para trabalhar e fazer horta. Lá no interior também tinha! E eu participava de tudo do movimento. Quero estudar mais e ajudar mais as pessoas aqui também. Ninguém estudou lá em casa, a minha mãe tem leitura, ela sabe ler, mas eu não sei. Acho importante pra ensinar as pessoas lá fora que nós também podemos. Que nós temos condições de fazer as coisas aqui dentro. Todo mundo lá fora tem as coisas, não tem? Nós também podemos ter aqui dentro.
Raphaella Mendes,
Movimento de Mulheres Olga Benario

domingo, 7 de abril de 2013

Verticalização faz capital mineira passar de cidade jardim a selva de pedra

Cidade onde a expansão urbana chegou ao ápice, Belo Horizonte continua a entregar à construção civil seus últimos remanescentes de áreas verdes. Apenas neste ano, foram anunciados três grandes empreendimentos imobiliários em terrenos constituídos de matas – alguns com árvores protegidas por lei, como ipês e pequizeiros. Especialistas culpam a falta de planejamento e o desrespeito às diretrizes urbanas da cidade para a verticali-zação desenfreada.

No segundo semestre, o cidadão da capital terá mais uma chance de definir os rumos da ocupação da capital. Realizada de quatro em quatro anos, a Conferência Municipal de Políticas Urbanas discutirá amplamente a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo. Representantes do poder público e da sociedade definirão formas de utilização de lotes urbanos, apresentando parâmetros urbanísticos.

Na última edição, em 2009, vários acordos voltados para zoneamento, regularização de imóveis e espaço público foram firmados com o objetivo de preservar as áreas verdes. No entanto, a direção do Movimento das Associações de Moradores de Belo Horizonte (MAMBH), entidade que congrega representantes de mais de 200 bairros, afirma que a prefeitura vem descumprindo os acordos. “Na Pampulha, principalmente no entorno da orla, foi proibida a verticalização, mas hotéis estão sendo erguidos na região”, exemplifica o presidente da entidade, Fernando Santana.

Requalificação

Além disso, Santana afirma que o poder público, vinculado a interesses políticos, vem requalificando as Áreas de Diretrizes Especiais (ADEs), visando atender somente ao setor empresarial. “Vários bairros caracteristicamente residenciais estão sendo transformados em áreas mistas, permitindo a instalação de empreendimentos de grande impacto para a vizinhança, como shoppings, hipermercados e motéis”.

O desenvolvimento, diz Santana, é necessário, desde que para todos e estimulado de forma sustentável e ética. “A destruição indiscriminada do verde é desumana e desnecessária”, destaca o advogado Wilson Campos, assessor Jurídico do MAMBH.

Fonte: Fernando Zuba - HOJE EM DIA
Foto: Frderico Haikal

Debate PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA

Participe do debate "PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA" em memória a todos os revolucionários assassinados nos porões da Ditadura Militar fascista, que oprimiu o povo brasileiro durante 21 anos.
Dia 9 de Março - Terça-feira - 18h30
Local: AFFEMG - Rua Sergipe, 393 - 2º andar - próximo à Praça da Liberdade

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Por que é tão difícil viabilizar terrenos e imóveis públicos para moradia social?


Por Raquel Rolnik*
No último domingo, o jornal O Globo publicou uma matéria mostrando que o INSS é proprietário de quase 4 mil imóveis, espalhados em todo o país, sem nenhum uso. Desde 2005, pelo menos, o Ministério das Cidades vem buscando estabelecer políticas que viabilizem o uso de imóveis públicos, entre eles os de propriedade do INSS, para produção de habitação de interesse social.
Aliás, em 2009 o governo federal anunciou publicamente a intenção de disponibilizar esses imóveis para o programa Minha Casa Minha Vida. Para se ter uma ideia, além dos 4 mil imóveis do INSS, existem cerca de 400 mil imóveis da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), além de outros milhares de terrenos da União. Foram inúmeros convênios e muitas idas e vindas entre o Ministério das Cidades, o Ministério da Previdência Social e a Secretaria do Patrimônio da União. Entretanto, até agora, mesmo com esses milhares de imóveis existentes, pouco foi feito. E o que foi “viabilizado”, na prática ainda não saiu do papel.
É o caso de 27 imóveis do INSS, adquiridos no início de 2010, por R$ 20 milhões, para serem reformados no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo a reportagem de O Globo, o Ministério das Cidades diz que desses 27 imóveis, “três estão em fase de regularização cartorial; cinco, em processo de elaboração ou aprovação de projetos; seis, em processo de chamamento de empresas para execução de projetos e obras; e nove, em fase final para contratação das obras”. Ou seja, são 23 imóveis ainda parados, 12 deles em São Paulo.
Há muitos exemplos de áreas públicas no país que poderiam ter sido utilizadas para habitação de interesse social, mas tiveram outro destino. É o caso de um terreno da RFFSA no cais José Estelita, no Recife, que foi comprado pela iniciativa privada para a construção de torres residenciais e comerciais (projeto Novo Recife), um projeto altamente contestado pela população local. Outro exemplo é o projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, onde enormes áreas públicas vão dar lugar a torres clone de Trump Towers. Enquanto isso, os movimentos de moradia lutam há mais de dez anos para que um imóvel do INSS abandonado em São Paulo seja usado para habitação social.
O fato é que a máquina do governo brasileiro é montada para não permitir o cumprimento da função socioambiental da propriedade, inclusive quando se trata de patrimônio público. Essa questão não diz respeito apenas ao INSS, mas também a terrenos da RFFSA, do patrimônio da União, entre outros. Apesar de serem reconhecidamente áreas privilegiadas para a construção de habitação de interesse social – já que é difícil encontrar terreno privado bem localizado para esse fim –, as dificuldades para tornar isso realidade são de fato enormes. Isso porque a legislação que rege o patrimônio público está construída para que estes apresentem a maior rentabilidade econômica possível – sob pena de os responsáveis por sua gestão serem acusados de lesar o patrimônio. Assim, as regras foram montadas para que o patrimônio público não possa ser utilizado em funções pouco rentáveis ou lucrativas, como é o caso de habitação de interesse social.
Em tempo: o Uruguai, nosso vizinho, constituiu um enorme banco de terras e imóveis públicos de suporte para a produção de habitação de interesse social por cooperativas.
Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.